
MENINA NA BERMA DA ESTRADA
Era triste aquela menina, seus olhos choravam, talvez pelo mundo que ela via... não sei... Naquele dia frio, ali sentada com as mãos dentro dos bolsos do seu casaco rasgado pelo tempo, sem sapatos, sem meias sequer. Seus pés já aleijados, pareciam congelar, seu rosto sujo brilhava com pequeninas lágrimas de dor que por ele rolavam...
Estava à espera! De quem?
Não sei, esperava, talvez que alguém lhe desse uma bolacha ou uma maçã...
Talvez esperasse por um anjo, enviado por Deus, para a vir buscar, sim, pois nestas ocasiões o melhor era que a morte viesse, e sorriu...com este pensamento...
Sabia que amanhã de manhã naquele frio de Inverno já não estaria ali, o frio cortava-a como se fossem laminas, fazia doer mas ela sentia que era por pouco tempo...
Não tinha ninguém, apenas más recordações. Lembrava-se do seu pai, bêbado imundo, que sempre tarde chegava a casa, pegava no cinto e batia-lhe, neste pensamento até parecia que ainda lhe doíam as cicatrizes.
Lembrava-se da sua mãe, que abraços e beijos lhe dava! Tanto amor! Tanto amor... que acabou no dia em que lhe pegou na mão e a deixou na berma da estrada, sozinha e triste, não sabia se tinha irmãos, mas isso não a importunava, o que desejava mesmo era que um anjo a viesse buscar...
As pessoas ao se aproximarem do lugar onde ela estava, ou atravessavam a estrada para o outro lado ou simplesmente faziam-se cegas a tanta dor, dor de uma menina que chorava cheia de fome, cheia de frio, com a única esperança na morte, que a cada instante parecia estar mais perto.
A noite caiu, acendeu-se a cidade, as chaminés fumegavam;--« Que bom era estar ali junto ao fogo! » Pensava... e sentia ainda mais frio.--« Se pudesse, ao menos, proteger-me da chuva, mas ninguém me deixaria ficar debaixo do parapeito de suas janelas...» Dizia ela consigo mesma!
Veio um vento frio e ela sentiu-se cansada, deixou-se cair devagar e um certo calor agarrou-lhe o coração; sorriu, depois muito baixinho disse:--« Adeus…» Tinha chegado o seu momento, o seu anjo, a sua libertação...
De manhã cedo quando a encontraram, tinha um sorriso nos lábios mas não tinha vida. Diziam as gentes:--« Coitadinha, morreu congelada...»
Ninguém sabia como se chamava ou de onde vinha, mas isso nem ela mesmo soubera... pois era apenas uma menina na berma da estrada...

QUANDO ESTOU CONTIGO
Quando estou contigo, Senhor, por vezes nem sei o que te dizer.
Começo sempre da mesma forma, mas Tu, Senhor, já tens uma resposta para mim…
Se começo…
-Obrigado…
Tu dizes: -Não me agradeças, apenas te peço que confies em mim,
E terás tudo o que precisas…
-Perdoa-me…
Tu respondes: -Sim perdoo-te, não importa pelo quê,
Mas peço-te que te arrependas com o coração…
-Não sei o que Te dizer…
Tu dizes: -Então fica calado! Pois é no silêncio que o coração fala…
Apenas te peço, ouve-me e ama-me…
-Peço-te…
Tu respondes: -Não me peças, pois eu sei o que tu realmente precisas,
Apenas te peço que acredites…
Na verdade, Senhor, sei que perdoas sempre que me arrependo,
Sei que, mesmo calado escutas a minha voz e Te ouço dentro do meu ser,
Quando Te peço, sei que me darás o que realmente preciso e não aquilo que é fútil,
Mas no entanto continuo a agradecer-Te, porque daquela vez em que não me arrependi,
Não Te escutei e Te pedi apenas aquilo que não precisei, jamais deixaste de me amar…
Obrigado Senhor!
POR ISSO O CRUCIFICARAM

Os Homens esperavam um Messias, que nascesse num trono de ouro, num grande palácio, com todos os adornos possíveis. Esperavam alguém que viesse alimentar os pobres e enche-los de bens…
Mas nasceu Jesus numa manjedoura coberta de palha, os seus adornos eram um pouco de tecido, já gasto pelo tempo e uma grande força de viver. Veio alimentar os pobres com a Palavra de Deus, veio não para encher os pobres de bens, mas pediu-lhes para darem o pouco que tinham…
--POR ISSO O CRUCIFICARAM!
Os Homens esperavam alguém cheio de forças, um guerreiro que acabasse com a vida de todos os seus inimigos…
Mas esse Homem falou-lhes da Verdade; da Justiça; da Vida; do Amor. Pediu-lhes para perdoarem e amarem os próprios inimigos…
-- POR ISSO O CRUCIFICARAM!
Os Homens esperavam alguém que, como Moisés, os conduzisse à Terra Prometida, onde nada lhes faltaria…
E esse alguém quis levá-los à Terra Prometida, mas era preciso serem como Ele. Para passar essa fronteira teriam de passar pela própria morte. Falou-lhes da Vida Eterna…
-- POR ISSO O CRUCIFICARAM!
Então os Homens carregaram Jesus com uma cruz de madeira, não era a madeira que pesava, mas sim o peso dos nossos pecados. Naquele caminho de terra seca, onde o pó se levantava conforme os passos de Jesus, lá ia sofrendo e caindo, uma, duas três vezes. Mostrava ao mundo quanto era frágil como os Homens, como era grande o seu Amor por todos nós, nós que o condenamos.
Agora era apenas um corpo morto no alto de uma cruz e, com os braços abertos, abraçava o mundo inteiro, pelo qual havia dado a sua vida.
Após o ”véu do templo se rasgar em dois” alguns disseram:
--ERA REALMENTE O FILHO DE DEUS!

MÃE, FOI À 14 DIAS...
Do teu encontro amoroso com o Pai que uma nova vida surgiu!
Tinhas expulsado um pequenino óvulo, (são precisos 5 para fazer um milímetro), esse óvulo que se encontrou com uma célula ainda mais pequenina, (20 fazem um milímetro), que proveio do Pai. Da sua fusão unificadora uma nova vida foi criada, são bem os dois uma só carne...!
No entanto, Mãe, muitos me querem matar!
Dizem que tens esse direito, que é um direito do teu corpo mas... Mãe!
Tu também já foste como eu, o Pai já foi como eu, como aceitas que me queiram assassinar?
Sou a razão da existência de vida no mundo, ninguém tem o direito de decidir quem vive ou quem morre...
Sabes Mãe, matar-me não é a solução para os teus problemas, não tenho culpa da tua irresponsabilidade, não me condenes à morte, pois se alguém aqui cometeu um erro, não fui eu...
Mãe, estou indefeso, a tentar sobreviver no teu seio, no entanto, Mãe, não sou desejado e queres matar-me, acabar com a vida de um novo ser humano, não! Não Mãe!
Não me podes matar, pois sou teu Filho, não tens esse direito! Sou carne da tua carne e sangue do teu sangue!
Ó Mãe! Quero Viver! Conhecer os mistérios da vida e do mundo...
Se me matas, Mãe, condenas-te a ti e a toda a humanidade, pois é em nós que a vida recomeça...
Deixa-me, ó Mãe, sentir o perfume do teu regaço, sentir o calor do teu aconchego, sentir a felicidade de quem apenas quer o direito à existência! Perdoa-me, Mãe, o mal que te causo, mas bem sabes que foste tu quem decidiu dar-me vida e a minha vida agora já não te pertence!...
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